terça-feira, 12 de outubro de 2010

Roteiro Montevidéu gastronômico

Dizem que a performance do Uruguai na copa do mundo chamou a atenção para este simpático país, que até então era mais conhecido pelos brasileiros pela carne, e por Punta Del Este.

Nos últimos meses vários amigos começaram a nos pedir dicas não só de Punta Del Este (aliás uma dica: uruguaio bacana não fala Punta, fala Punta Del Este...), mas também começaram a pedir dicas de Montevidéu, e até Colônia de Sacramento. Eu já fiz um post sobre Montevidéu em um dia, mas com tanta gente pedindo dicas, resolvi recorrer as minhas primas, já que não estou tão quente em dicas, além das tradicionais. Meu irmão também fez algumas contribuições legais.

Fiz algumas pesquisas na internet sobre Montevidéu, e fiquei surpreso com a quantidade de comentários positivos, e até carinhosos a respeito da cidade. Todos os comentários mencionam a surpresa de chegarem a uma simpática, e charmosa cidade, com ares europeus, comida deliciosa, e um povo simpaticíssimo. É muito bom ver tantos comentários positivos, especialmente por que para mim, sempre foi a minha segunda cidade natal, e eu sempre passei a maior parte do tempo com minha família, visitando primos, tios, avós, tios avós, amigos dos meus pais, enfim, nunca me senti um turista em Montevidéu.

Se eu tivesse que recomendar um único lugar em Montevidéu, seria o Mercado Del Puerto.

No Mercado Del Puerto:

La tem o restaurante EL PALENQUE. Você pode escolher as mesas do restaurante, mas sente no balcão e veja o cara trabalhando no fogo. Peça o assado de tira, mas qualquer carne é boa. Os chorizos (linguiças) têm um tempero diferente das nossas tradicionais Toscana e Calabresa, e são muito boas. Outra coisa que você praticamente só vai encontrar no Uruguai são as Morcillas DOCES. Na Argentina, na Espanha e em Portugal, são, na maioria das vezes, salgadas. As entranhas também são muito boas. Dica: Não pergunte o que é. Simplesmente peça e coma. As mollejas são deliciosas, e segundo o meu pai, são o principal prato do Maxim de Paris....

Antes de comer lá, vá ao balcão do ROLDOS e tome um Medio y Medio que é um mistura de vinho branco doce e seco, por isso o nome. Coma um ou dois sanduíches de pão de miga que estão expostos. São bem simples, mas a graça deles é justamente serem simples e levinhos. Peça um para cada um e só. Senão não sobra espaço para a carne.

Outro lugar que veneramos é o LA PASIVA. Ninguém vai te indicar isso por que é trash. Lá, você come frankfurters (panchos) que são os hotdogs bem simples. Use a mostarda branca especial que eles ofercem por lá. Tem gosto bem particular. Outra iguaria é a Hungara, que é um cachorro quente de lingüiça húngara. São várias lanchonetes espalhadas por Montevideo. O Chivito é outro hit parade. É o chesse salada, e vem especialmente em duas versões, a normal (seria um super cheese salada),e o Canadiense (Um super cheese tudo).

Pizza no Uruguai tem características muito peculiares. São retangulares, grossas, e sem QUEIJO. Se você quiser uma pizza com queijo, deve pedir uma mozarela. É diferente, mas muito gostosa. Pode vir acompanhada de Fainá, que é uma massa de milho bem fininha, que até parece uma massa de polenta. Você pode colocar por cima da pizza e comer junto. É demais!

Sugestões, de pizzerias:

Pizzerie Trouville na Calle Veintiuno de Setiembre 3104 em Pocitos
A melhor de todas, mas que tem que ter paciência para esperar: El Horno de Juan na Calle Martí 3391 entre Chucarro e Benito Blanco (super perto da casa da minha falecida avó...). Também em Pocitos.

Supermercados:

O uruguay tem gado e leite, tudo que é carne e leite, no Uruguai é muito bom. Sorvetes, iogurtes com pedaços de fruta, e o rei do pedaço, o DOCE DE LEITE. Eu sou uruguaio, e posso ser tendencioso na minha opinião, mas o doce de leite uruguaio é melhor que o argentino. Os brasileiros geralmente não relacionam o Uruguai a doce de leite.... Falar de doce de leite no Uruguai é como discutir cerveja no Brasil. Qual a melhor? (Eu prefiro a Bohemia...) As principais marcas são CONAPROLE e LA PATAIA, cujo tambo (fazenda de leite) fica em Punta Del Este, e é além de tudo, um tremendo passeio.

Cervejas e Vinhos:

O Uruguai está ficando cada vez melhor no mundo dos vinhos. A uva mais característica é a TANNAT, mas eles estão produzindo muito mais Cabernet Sauvignon do que Tannat. Pode-se visitar algumas das vinícolas, uma vez que a principal região vinícola, Canelones, fica colada a Montevideo, próximo ao aeroporto.
As cervejas já estão ficando mais conhecidas por aqui. A mais tradicional é a Norteña (que na minha opinião, parece-se com a Bohemia brasileira), e a outra que está cada vez mais presente no Brasil é a Patrícia, que tem gerado um mar de piadinhas: “ A Patrícia é uma gostosa...”, “estou aqui no bar coma Patrícia”....

Bares e restaurantes:

Aqui tive que recorrer as minhas primas. Essas são dicas quentíssimas que o taxista ou o pessoal do hotel não vai saber dar...
Em Pocitos e Punta Carretas:
- Siam
- Bar 62
- La Perdiz (jantar- carne)
- Francis (jantar)
- Sacramento (jantar)

Buceo (bairro que fica entre Carrasco e Pocitos)

- Burlesque
- Barba Roja
- Panini's (italiano, também estão en Ciudad Vieja)
- La Vaca (carnes)
- Bamboo

Carrasco:

- Café Mistério (Rivera e Costa Rica) – bar bacana e tradicional em Carrasco ( Já fui várias vezes)
- Clyde´s (Rivera e Costa Rica)– Outro bar bacana e tradicional de Carrasco estilo pub (Também já fui várias vezes)
- García – (Arocena e Gabriel Otero)

Ciudad Vieja:

- Café Bacacay (Bacacay e Buenos Aires) – Lugar muito pitoresco para ir a noite, próximo ao Teatro Solís

Para dançar:

- Pony Pisador
- Lotus

Buen viaje!

domingo, 12 de setembro de 2010

Espaguete com robalo e molho de tomate

Eu estava buscando uma receita para fazer um bom macarrão, e encontrei essa deliciosa, e simples receita. Foi aprovado por todos.

O segredo está em comprar bons tomates maduros e doces, e um robalo bem fresco. Na falta de robalo, pode-se usar abadejo, ou outro bom peixe em file.

Ingredientes:

• 2 dentes de alho inteiros (eu uso 3, mas muita gente prefere menos alho)

• 1 colher de café de pimenta vermelha seca moída (para quem não curte pimenta, pode-se desconsiderar este ingrediente)

• 1 kg de tomates maduros sem pele e picados

• 200 ml de vinho branco

• 350 g de espaguete seco

• 400 g de filé de robalo, sem pele, e cortado em tirinhas

• 2 ½ colheres de sopa de salsinha picada

• Azeite extra virgem

Como fazer:

1. Esmague os dentes de alho com uma faca grande. Aqueça o óleo (eu tenho usado óleo vegetal : canola ou girassol) em uma frigideira grande em fogo alto. Coloque o alho, a pimenta e cozinhe, mexendo de vez em quando. Se o alho começar a pegar cor, tire a frigideira do fogo.

2. Adicione os tomates e despeje o vinho. Tempere suavemente com sal, deixe ferver, e cozinhe em fogo médio por 10-12 minutos até engrossar.

3. Enquanto isso, faça o macarrão de acordo com as recomendações da caixa, até ficar al dente. Escorra e reserve uma concha de água.

4. Quando o macarrão estiver quase pronto, adicione o peixe e a salsinha ao molho, e cozinhe por uns 2 minutos, até o peixe pegar um pouco de cor.

5. Adicione o macarrão ao molho, e cozinhe por uns 30 segundos. Adicione a água reservada.

6. Adicione um filete de azeite e sirva com um bom queijo ralado na hora.

Além de delicioso, é um prato muito bonito!

Capeletti in Brodo

Meu pai gosta muito de Capeletti in Brodo. Sempre tenta fazer em casa, e segundo ele, nunca fica bom o suficiente.

Ao ler a excelente revista CASA E COMIDA (Ed. Globo), achei uma receita interessante e resolvi testar. O principal diferencial da receita era o caldo, que levava 3 horas para fazer, e levava, entre outras coisas, ossobuco e frango. Sensacional! Apesar de o caldo levar 3 horas para fazer, dá pouquíssimo trabalho para fazer. É só jogar os ingredientes na panela e esperar 3 horas...

Ingredientes:

• Capelettis de frango ou carne pré cozidos (Pode também ser de queijo)
• 5 litros de água
• 1 cenoura limpa e descascada
• 4 talos de salsão
• 1 cebola descascada
• 1 maço de salsinha
• 1 sobrecoxa de frango sem pele
• 1 ossobuco de aproximadamente 200g
• 1 colher de sopa rasa de sal

Modo de preparo:

1º passo : Junte todos os ingredientes (exceto o capeletti) a água, e ponha para ferver.

2º passo: Após ferver, diminua o fogo e deixe cozinhando e reduzindo por 3 horas.

3º passo: Passe o caldo em um coador, reservando o caldo, e descartando os ingredientes. (A cenoura, a carne, e o frango podem ser reaproveitados, e o melhor de tudo: O tutano!)

4º passo: Adicione os capelettis ao caldo e sirva. O caldo irá finalizar os capelettis.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Peixe na brasa

Para quem não tem problemas com peixe de água doce, o Pacú é um excelente peixe por ter um pouco de gordura, por isso fica ótimo na churrasqueira. Receita do Edú (primo da patroa) testada e aprovada. Ideal um Pacú de 2 kg ou mais.

Outra coisa super bacana: Comprei um peixão de 2 kgs por R$ 17 no Pão de Açucar.

Ajuste a receita original: Compre o peixe já limpo e dividido em duas partes. O Edú costuma abrir o peixe ao meio, e o coloca inteiro na churrasqueira

Uma ótima opção de peixe de mar é a Pesacada Cambucu. É um peixe magro, mas que fica excelente na brasa. Testado e aprovado!

Molho para marinar (1 ou 2 horas):

Super simples. Bata em um liquidificador suficiente para besuntar o peixe:

- alho
- limão
- alecrim
- sal

Pode deixar um pouco mais para regar.

Na brasa:

Dica: Use aquela grelha de peixes (que abre e fecha). Dá menos trabalho, por que o peixe não vai grudar na churrasqueira.

Assar com a pele para baixo até ficar tostadinho, e virar para dar uma tostadinha na carne. Somente vire uma vez.

para finalizar, pode-se moer um pouco de sal sobre o peixe no final. sal grosso moido fica mais interessante que o sal fino.

Curiosidade: O Pacú é um peixe encontrado no Mato Grosso, Amazonas e bacia do Rio da Prata, podendo chegar a até 8 kgs. Ele e é primo da PIRANHA....

Risotto al Limone

Esse é um risotto super básico, e de sabor surpreendente. Para dicas adicionais leia o post DICAS DE RISOTTO FOR DUMMIES.

- 1 xícara de chá de arroz arborio
- 1/2 xícara de chá de vinho branco
- 1/2 cebola picada
- 1 1/2 litro de caldo de legumes
- 1 colher de chá de manteiga
- 2 colheres de sopa de azeite (para refogar a cebola)
- 1 pacote de queijo ralado de 100 gramas (Para um risotto mais leve -50 gramas)
- Raspas e suco de 1 limão siciliano (se nào tiver, use o limào comum)

Dicas adicionais:

- Arroz CANAROLI é também um boa opção
- Queijo ralado na hora é mais gostoso
- Primeiro raspe o limão para depois espremer o suco. Não faça o contrário
- Se você não tiver um raspador, use um ralador de queijo (É até melhor...)
- Assim que colocar o arroz, mexa sem parar até o final

Preparo:

o de sempre...

- Refogue a cebola
- Jogue o arroz para dar uma tostadinha
- Adicione o vinho e deixe evaporar
- Depois que evaporou o vinho comece a colocar o caldo. 1 concha por vez até evaporar.
- Depois de 10 minutos ( a partir do vinho) jogue o suco do limão e deixe evaporar
- Siga adicionando o caldo. 1 concha por vez até evaporar.
- Assim que der 17 minutos, desligue o fogo
- Adicione a manteiga, as raspas de limão, e o queijo ralado.

Fala se não é fácil?!

Este risotto vai super bem com um carne, frango ou peixe grelhado

Dicas de risotto for Dummies

O risotto é um prato muito bacana, e é um ótimo prato para aqueles que querem se iniciar na culinária. Vou colocar algumas receitas no blog, mas a idéia agora é falar sobre o RISOTTO.

A maioria dos risottos tem o mesmo princípio, e se você dominar este princípio, fará risottos deliciosos, e com o "pé nas costas". A diferença dos meus risottos, é que eu tenho usado cada vez menos manteiga. A manteiga dá brilho e gosto, mas deixa o risotto pesado e com muito mais gordura saturada (eu tenho o colesterol um pouco acima do ideal).

Para fazer o risotto você precisa de:

Arroz para risotto
Vinho branco
Caldo de frango, carne, legumes, peixe ou outro (depende do gosto que se quer dar)
Azeite
Manteiga
Cebola
Queijo ralado

Até aqui, a maioria dos risottos é igual.O tema do risotto geralmente vem no finalzinho.

No momento que o risotto estiver quase pronto, mistura-se o tema (gosto) que se quer dar ao risotto. Se o tema tiver ervas secas, coloca-se no meio do processo, se utilizar ervas frescas, só no final. Se a idéia é colorir o risotto com os ingredientes (como açafrão) coloca-se o ingrediente mais no meio do processo, para que o arroz vá pegando cor. Ingredientes que precisam amolecer (como abóbora) podem entrar no início. Enfim. O importante para quem está começando é entender que 80% da maioria dos risottos tem o mesmo processo.

O processo do risotto:

Eu geralmente uso uma xicara de chá como medida.

1 xícara de arroz
1/2 xícara de vinho branco
1/2 cebola picadinha
1 boa jorrada de azeite
1 1/2 litro de caldo
1 pacote de queijo ralado de 100gramas
1 colher de sopa de manteiga

Aqueça o caldo, e deixe-o bem próximo da panela em que será feito o risotto.

- De uma jorrada de azeite na panela do risotto (panelas largas funcionam melhor), e doure a cebola picada
- Coloque o arroz e deixe uns 2 minutos para dourar

Atenção: a partir daqui você vai ficar mexendo o arroz até o final.

- Adicione o vinho e deixe evaporar
- Comece a colocar o caldo com uma concha, uma por vez, até evaporar. Evaporou? Coloque mais uma concha.

Lembre-se de mexer até o final........

DICA DE OURO: Você pode contar de 17 a 20 minutos para o risotto ficar pronto (a partir do vinho). Nem um minuto a mais. Pode confiar. Ele pode estar um pouco "al dente", mas ele continua cozinhando depois que se desliga o fogo

A partir de 10 minutos pode-se começar a colocar os ingredientes. Cuidado com os ingredientes que soltam água. Camarão, tomates, frutos do mar, alguns legumes, soltam água. Coloque menos caldo para compensar.

A partir dos 10, 12 minutos, comece a colocar menos caldo, para não ficar empapado no final.

Deu 17 minutos? Desligue, coloque os demais ingredientes (por exemplo ervas frescas), a manteiga, e todo queijo ralado. Teste o sal, e complete caso necessário.

Nunca adicione sal no meio do processo. É fácil passar do ponto. Aliás, geralmente não precisa de mais sal.

Pronto!

Últimas dicas:

1) treine, treine, treine, treine.
2) comece pelo risotto básico
3) busque receitas na internet
4) o Youtube é um ótimo repositório de receitas, e você pode observar o cara fazendo
5) treine sem medo (se não ficar bom, faça de novo para corrigir)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O churrasco brasileiro versus o assado argentino (e Uruguaio..) - artigo iG

O churrasco brasileiro versus o assado argentino

Churrasqueira ou parrilla? Com ou sem espeto? Para além do futebol, Brasil e Argentina têm suas diferenças no preparo da carne

Roberta Malta, especial para o iG | 30/07/2010 12:29

Assado argentino: parrilla é o nome do lugar onde a carne é preparada – para os brasileiros, o nome dado a esse lugar é churrasqueira.

Com a valorização da moeda nacional perante à argentina -- o real está valendo, em média, o dobro do peso – os brasileiros invadiram (mais) o país do tango. As compras lhes são atraentes, o ar europeu das cidades os encanta e todo mundo quer saborear as prestigiadas carnes argentinas. Chegando lá, a confusão: “mas, afinal, parrilla é a mesma coisa que churrasco? Qual a diferença entre os dois?”. O iG Comida recorreu aos universitários para decifrar a charada.

Em primeiro lugar, alerta Leandro Ciasca, um sommelier "louco" pela Argentina, as duas coisas não são sinônimos. Parrilla é simplesmente o nome dado ao lugar onde a carne é preparada – para os brasileiros, o nome dado a esse lugar é churrasqueira. O nosso churrasco é o "asado" (palavra em espanhol que significa, em português, assado) deles, simples assim.

Agora, o programa de comer a carne assada em brasa de carvão e no espeto -- coisa que os brasileños fazem, em geral, tomando cerveja gelada, em restaurantes ou na laje de casa – não tem correspondência no vocabulário argentino. (O que será que eles fazem no fim de semana, hein?!).

Seguindo a mesma linha de raciocínio, é importante explicar também que “existem dois tipos de 'asado': o ‘asado a la parrilla’, que é feito na churrasqueira e o ‘asado criollo’, com o espeto fincado no chão”, ensina Ciasca. Este último corresponde ao método chamado de "fogo de chão", maneira como os peões de antigamente, que transportavam gado, assavam a carne.

Mas as diferenças não param por aí. O método do churrasco e dos asados também é distinto. “Os argentinos raramente usam espetos”, diz o gaúcho Diogo Carvalho, co-autor do blog Destemperados. Gaúcho orgulhoso, ele conta que na Argentina a carne é preparada em grelhas com mais ou menos 45 graus de inclinação, num fogo de lenha muito poderoso, que fica bem perto do ingrediente. “Ali, são jogados os cortes com um desdém apaixonante”, descreve, poético.

Outra alteração fundamental está na salga. Enquanto no Brasil as carnes são lambuzadas de sal grosso antes do cozimento, na Argentina elas são temperadas com sal marinho e só a partir do meio do processo. O resultado é sentido no prato. O sal grosso, diferente do refinado, deixa a carne mais pesada e é responsável por aquela sensação de estômago distendido comum em saídas de churrascarias rodízio. Além disso, segundo Ricardo Castilho, diretor da revista de gastronomia Prazeres da Mesa, o espeto resseca e tira os sulcos da carne.

Até aqui, tudo indica que a terra de Maradona está em vantagem, mas não é bem assim. “Quando o brasileiro deixa o espeto de lado e usa com sabedoria a grelha, ele se supera. Hoje, as nossas melhores carnes estão um grau acima das da Argentina”, afirma Castilho. A opinião do jornalista, porém, considera apenas a avaliação de cortes similares (veja abaixo), pois no quesito variedade é inegável que o estrangeiro sai na frente. “Eles costumam gostar de partes da vaca que os brasileiros, de modo geral, não apreciam”, sugere Diogo. Exemplo disto é a parrillada, prato comum nas mesas argentinas, que leva miúdos, linguiça e um pedaço de alguma carne -- cortes pouco comuns às churrasqueiras do país.
Churrasco brasilero: no espeto, na churrasqueira, um jeito fácil de alimentar um monte de amigos, comer bem e se divertir.

Em que pese tudo isso, o brasileiro tem um forte motivo para preservar o atual modelo de churrasco. "A carne no espeto é mais prática para compartilhar, oferecer entre as mesas", afirma Larazetti, responsável pela churrasqueira da Vento Haragano, que trabalha em sistema de rodízio, em São Paulo. Usar espetos, portanto, fazem parte de uma postura social bem comum ao povo brasileiro: de compartilhar, reunir, festejar. Afinal, como já dito, o churrasco, aqui, está além das questões gastronômicas e vale muito mais como um motivo para encontar os amigos. Até o goumet mais exigente concorda que o momento e a companhia são itens fundamentais ao prazer do paladar.

No fim, conclui-se que a diferença, como quase sempre se observa na gastronomia, é cultural. A escolha, pessoal. O placar permanece indefinido, mas fica a percepção de que o que nos afasta é o mesmo que indubitavelmente nos aproxima. Como uma partida de futebol ou um suculento pedaço de carne.

Principais cortes
O lomo argentino é similar ao nosso filé mignon, assim como...
...o ojo de bife está para o contra filé
...o bife ancho está para a ponta do contra filé
...o bife de chorizo está para o miolo do contra filé
...o tapa de quadril está para a picanha
...o bife de tira está para o miolo da picanha
...o vacio está para fraldinha
...o quadril está para a alcatra